sábado, 11 de agosto de 2012

Após perder mulher e filha, advogado
vive com o filho especial em Limeira

Rapaz sofre da mesma síndrome que matou parentes, mas tem vida normal.
Pai conta que não espera morte e crê que será cumprida a "ordem natural".

Thomaz FernandesDo G1 Piracicaba e Região
 

Pai e filho são única família depois de morte de mãe, irmã e tios (Foto: Ricardo Wollmer/Aril)
 
 
Pai e filho se apoiam depois das mortes da mãe, irmã e tios (Foto: Ricardo Wollmer/Aril)
 
O policial civil aposentado e advogado Valmir Antônio da Silva, 52, vive em Limeira (SP) com o filho Valmir Antônio da Silva Júnior, 30. O rapaz tem deficiência intelectual e sofre da distrofia de Steinert, doença hereditária que degenera todos os músculos do corpo e que causou a morte da mãe (há três anos), da irmã (há dez meses) e de cinco tios.

Silva cuida sozinho do filho e atua não só como pai e mãe, mas como tio, amigo, irmão e avô, pois é o único familiar vivo de Júnior. "Hoje em dia somos eu e ele o tempo todo. Mas nem sempre sou eu quem cuida. Ele também é meu consolador nos momentos de dor, me ampara e me dá forças da mesma forma que eu faço para ele", contou o advogado.

Durante a semana, Júnior estuda e trabalha na Associação de Reabilitação Infantil de Limeira (Aril) reciclando jornais e montando equipamentos em uma fábrica instalada no local. Silva exerce a advocacia, mas fica alerta para qualquer urgência. "Tem situações de eu estar em uma audiência e ligarem falando que meu filho está com alguma dor ou problema. Eu paro o que estiver fazendo e saio de onde estiver para ir auxíliá-lo. Ele é a minha prioridade", disse.

Diferente da mãe e da irmã, que só desenvolveram a doença na idade adulta, Júnior nasceu com a distrofia e a deficiência mental. Ele tem dificuldades para se locomover, problemas renais e cardíacos. Há três anos, fraturou o fêmur e as dificuldades para caminhar se agravaram.

CotidianoDesde que nasceu, Júnior foi criado sem qualquer diferença em relação a outras crianças. "Nós o alfabetizamos até onde foi possível e ele aprendeu também a operar máquina calculadora", disse o pai. Em casa, a dupla se diverte com dominó e jogos de tabuleiro, além de compartilharem a paixão pelo São Paulo Futebol Clube.

Sempre que podem, pai e filho vão ao estádio do Morumbi, em São Paulo (SP) para ver os jogos do time do coração. "O estádio tem uma área apropriada para deficientes físicos e nós entramos com o carro dentro do Morumbi. Ele se sente 'o dono' do estádio e ainda ama o Rogério Ceni (goleiro da equipe)", completou Silva.


Relação
A doença de Júnior não é vista pelo pai como um problema ou algo trágico e ele também refuta a possibilidade de perder o filho. "Eu não quero que a ordem natural da vida seja quebrada e o pai enterre o filho. Eu quero ficar velho e morrer antes dele. Não é incômodo, não tem nada de fardo na minha vida. Ele veio me melhorar como ser humano. Se a gente vem para esse mundo aprender alguma coisa, eu aprendi muito", completou o pai.


Silva acompanha Júnior em trabalho na associação (Foto: Ricardo Wollmer/Aril)Silva acompanha Júnior no cotidiano de estudos e de trabalho em associação (Foto: Ricardo Wollmer/Aril)

Enviado por Fernando Moreira -

Cadela salva filhotes de incêndio e os deixa em caminhão dos bombeiros

Mãe é mãe! Isto vale também para o reino animal. A cadela Amanda resgatou os cinco filhotes de um incêndio na casa em que vivia em Temuco (Chile). O destemido animal levou os rebentos em segurança até um caminhão do corpo de bombeiros, de acordo com o "Diario El Austral de La Araucaria". Infelizmente, o último filhote a ser retirado do incêndio não resistiu e morreu. Amanda sofreu queimaduras, mas não corre risco de morte.


Fonte: O Globo -Blogs

Greve da Anvisa já afeta os laboratórios do país

 

Para a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Amulatorial pode haver um colapso no sistema de saúde se nada for resolvido em 48 horas

A greve de funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começa a afetar as clínicas de todo o país. Reagentes químicos importados necessários para a realização de 90% dos exames médicos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Ambulatorial (SBPC/ML), estão retidos em portos e aeroportos e todo o país. São medicamentos, insumos farmacêuticos, peças para equipamentos médicos e acessórios para a utilização em pacientes em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). A previsão da instituição é que pode haver um colapso no sistema de saúde se nada for resolvido até a manhã de segunda-feira.
— Estou muito temeroso do que pode acontecer. O problema já vai além da economia. Estamos lidando com a saúde das pessoas.
A consequência direta da falta de reagentes é a falha no atendimento dos pacientes. Em alguns casos podem faltar exames que influenciem as decisões de futuras cirurgias. Segundo Paulo Azevedo, presidente da SBPC/ML, a situação já está em um ponto crítico.
— Grande parte dos produtos usados em clínicas no Brasil são importados. Em levantamento rápido que fizemos já não há um laboratório sem problemas de abastecimento.
Ainda segundo Paulo, preocupados com a qualidade dos produtos, que têm validade curta, importadores já estariam deixando de fazer pedidos.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/greve-da-anvisa-ja-afeta-os-laboratorios-do-pais-5753715#ixzz23EUQlUed
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Linfócitos geneticamente modificados exterminam tumores de leucemia

O método oferece uma alternativa para outras formas de câncer, inclusive de pulmão e ovários, mieloma e melanoma

Os linfócitos geneticamente modificados de pacientes com leucemia exterminaram os tumores e evitaram a reaparição pelo menos por um ano, segundo um estudo da Universidade da Pensilvânia publicado nesta quarta-feira pela revista "Science Translational Medicine".
Segundo a Sociedade de Leucemia e Linfoma, em 2010, cerca de 43,5 mil pessoas nos Estados Unidos tiveram um diagnóstico de leucemia, e aproximadamente 22 mil morreram por essa doença.
Os pesquisadores do Centro Abramson de Câncer e a Escola Perelman de Medicina, na Pensilvânia, testaram um método que consiste na coleta de células do próprio paciente e sua modificação genética, para depois retorná-las ao corpo do paciente submetido a quimioterapia.
O método oferece um tratamento para outras formas de cânceres, inclusive de pulmão e ovários, e mieloma e melanoma, segundo o artigo que também se publica na revista "New England Journal of Medicine".
"Em um período de três semanas, os tumores foram eliminados de uma maneira muito mais drástica que o esperado", disse o principal autor do estudo, Carl June, professor de Patologia e Laboratório de Medicina no Centro Abramson de Câncer.
Após retirar as células do paciente, a equipe de pesquisadores reprogramou-as para que atacassem as células do tumor mediante uma modificação na qual usaram um transmissor de lentivírus.
Esses são vírus cujo período de incubação é muito prolongado e daí seu nome, que alude à lentidão com que se desenvolvem os sinais das infecções que produzem.
O vetor codifica uma proteína similar a um anticorpo, chamada receptor antígeno quimérico (CAR, na sigla em inglês), que se expressa na superfície dos linfócitos ou células T e são destinadas a se unir a uma proteína chamada CD19.
Uma vez que os linfócitos começam a manifestar a proteína CAR, concentram todo o poder maligno nas células que expressam a CD19, que incluem as células com leucemia linfática crônica e as células B normais.
Os linfócitos modificados não mostram interesse algum por todas as outras células no paciente, que não expressem a proteína CD19, e isso limita os efeitos secundários que, tipicamente, acompanham os tratamentos padrão, segundo o artigo.
Os pacientes recrutados para este estudo tinham poucas chances de tratamento e o único tratamento potencial teria envolvido um transplante de medula óssea, um procedimento que requer um prolongado período de internação hospitalar e possui risco de mortalidade de 20%.
"O número de células T modificadas aumentou pelo menos mil vezes em cada um dos pacientes", comentou June. "Os remédios não conseguem esse efeito e, além da enorme capacidade de multiplicação, esses linfócitos modificados são assassinos insaciáveis".
"Em média, cada linfócito causou a morte de milhares de células do tumor e, em conjunto, destruíram pelo menos quase um quilo de tumor em cada paciente", acrescentou.
Os métodos de cultivo utilizados neste exame reativam linfócitos que tinham sido suprimidos pela leucemia e estimula a geração das chamadas células T "de memória", com as quais os cientistas esperam conseguir uma proteção contra a incidência do câncer.
Ainda não se determinou a viabilidade a longo prazo do tratamento, mas os médicos já encontraram indícios de que, meses depois da infusão dos linfócitos modificados, as novas células tinham se multiplicado e podiam continuar sua tarefa de busca e extermínio das células cancerígenas.


fonte: ISaude.net

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

  
Fidelidade de cadela serve de exemplo nas Osid
 
  • Lúcio Távora | Agência A TARDE
    A cadela Nina "dá plantões" na porta das Osid em busca do dono Renato

Quem conhece a filosofia de trabalho e o carisma das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) sabe que se trata de instituição toda especial, onde os mais impensáveis gestos e atos de amor se manifestam. Renato Mário dos Santos, 43 anos, é catador de recicláveis, negro, morador de rua, sujo pelo tempo, viciado em álcool e homossexual. No Largo de Roma, ele encontrou dois amores após vir de Guarulhos (SP): o primeiro é seu companheiro Jorge Luiz dos Santos Soares, 28 anos, também alcoolista. A segunda "pessoa" é seu maior amor, Nina, uma cadela de quem não se sabe a idade ou raça, que há dois anos encontrou Renato, fazendo-o "renascer" como uma espécie de "Lázaro moderno".

Renato cuidou de Nina em sua doença (ele buscou todos os meios para curá-la de um sangramento intermitente e encontrou uma veterinária que cuidou do animal sem cobrar pelo serviço). Hoje Nina tem cartão de vacina e dá ao seu dono toda a atenção e proteção. "É ela quem cuida de mim, me protege, é meu anjo. E ela nunca gostou que eu bebesse. Quando via uma bombinha vazia (de cachaça), ela me tomava. E rosna para quem me oferece bebida", contou Renato, que divide com Nina comida e espaço em calçadas ou no Albergue de Roma.

O internamento - Buscando livrar-se do vício, Renato e Jorge buscaram tratamento no Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas (Cata) da Osid. Era primeiro de agosto e a dupla escolheu roupa "de gala": vestiu-se com paletós e foi ao centro calçada de havaianas. Mas o tratamento pedia uma indesejada separação: Renato não poderia ter, dentro da unidade de saúde, contato com o animal amigo. Mas, logo os funcionários começaram a perguntar de quem ela seria. Dócil com quem passa, a cadela só abandona a vigília para alimentar-se, "aliviar-se" ou proteger-se da chuva.

Logo descobriram que Nina buscava seu dono e viram que se tratava de um animal especial. Como escreveu o jornalista Ciro Brigham, primeiro a traduzir em letras este caso de amor, "não duvide, portanto, se, ao olhar para essa cadelinha, você enxergar, de relance, Irmã Dulce a cochichar-lhe num ouvido e São Francisco no outro". A coordenadora do Cata, a médica Maria Del Carmen, ressaltou que Renato e Nina têm características interessantes. "Ela é uma cadela diferente e Renato é muito tranquilo". Por isso, uma primeira exceção foi aberta para Renato e Jorge: eles foram internados no Cata, mesmo não sendo dia para novas admissões.

Outra licença foi concedida a Renato: em vista do amor entre o paciente e a cadela, foi permitido a ele descer ao menos uma vez no dia para ver sua grande companheira. Renato e Jorge passarão pelo menos 20 dias em desintoxicação e depois terão atendimento ambulatorial (Jorge sofreu três convulsões provocadas pela abstinência do álcool, mas encontra em Renato apoio para enfrentar esta difícil fase da luta contra o terrível vício).

Para os funcionários e religiosos da Osid, o caso os faz pensar sobre o amor. "Nina nos mostra como devemos amar, independentemente das escolhas das pessoas", disse a irmã Helena, religiosa da mesma congregação que Irmã Dulce. Ela conta que, em anos anteriores, em todas as semanas de homenagens à beata Dulce, apareceu um cachorro, frequentemente necessitando de cuidados. "Mas desta vez apareceu uma que veio cuidar do seu dono", contou a religiosa. Sobre Nina, Renato disse: "Ela é tudo para mim, meu maior amor".

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mulher com autismo que pensa como animais é 'encantadora ' de rebanhos


Temple Grandin (Foto: Rosalie Winard)
Temple Grandin fica no meio dos animais de um rebanho para enxergar os problemas que eles enfrentam (Foto: Rosalie Winard)

Quando era criança, a americana Temple Grandin não se relacionava com outras pessoas e só começou a falar aos quatro anos de idade. Hoje, é uma celebridade, foi tema de filmes, dá aulas na Universidade de Colorado, é assessora do governo dos Estados Unidos e uma autoridade mundial em saúde animal.
Temple Grandin foi diagnosticada com autismo durante a infância. A empatia de Grandin com o gado e sua capacidade de entender o que os animais sentem levou à introdução de uma série de mudanças radicais no trabalho com o gado e na indústria de carne americana.
 
Seus livros e palestras a tornaram tão popular que sua vida foi mostrada em documentários para televisão americana e europeia.
Grandin esteve recentemente no Uruguai, participando de um encontro sobre saúde animal.
Ela afirmou que o autismo está na raiz de sua habilidade.
"O autismo me ajuda a entender o gado", disse Grandin em entrevista à BBC.
"Penso de forma totalmente visual e é assim que os animais pensam. Minhas memórias são fotográficas e este pensamento visual me permite perceber detalhes que podem aterrorizar os animais, como as sombras, os reflexos no metal ou uma entrada que é muito escura."
A professora afirmou que suas memórias parecem um vídeo que ela pode passar várias vezes em sua mente, explorando cada detalhe.

Detalhes e métodos

Grandin disse que tanto a "mente autista como a mente animal" notam detalhes que podem parecer mínimos para outras pessoas.
Em um dos casos em que trabalhou, ela notou que o gado parava abruptamente na entrada de um curral e que isso ocorria devido aos objetos que estavam espalhados no caminho dos animais.
"Penso de forma totalmente visual e é assim que os animais pensam."
Temple Grandin
Em outro caso, o que assustava os animais era uma entrada muito escura. Ao invés de reconstruir o curral, a abertura de uma janela foi o suficiente para resolver o problema.
Os métodos utilizados por Grandin não são convencionais e incluem deitar-se no chão, no local onde o gado fica, para que os animais se aproximem, como se fosse uma "encantadora" de gado.
"O gado se sente ameaçado por coisas desconhecidas (...). Uma vaca em uma fazenda de leite vai caminhar sem problemas sobre uma sombra se a vê todos os dias. Mas um animal em um curral vai se assustar com esta mesma sombra se a ver como algo novo."

Bem-estar e medo

Grandin disse à BBC ser fundamental para a saúde dos animais que os abatedouros obedeçam a alguns requisitos.
"Paredes sólidas e um chão que não escorrega são essenciais. Os animais entram em pânico quando escorregam", afirmou.
"Os funcionários também devem manter a calma e reduzir muito o uso do bastão elétrico (para ajudar a conduzir o rebanho). A forma como os animais são tratados afeta a qualidade da carne. O uso do bastão e a agitação durante os últimos cinco minutos antes do abate fazem com que a carne fique mais dura", disse.
No entanto, a professora afirma que a principal razão de mudar o tratamento dos animais é que "eles são capazes de sentir tanto medo como dor".
Alguns críticos perguntam a razão de se melhorar o bem-estar do gado se eles serão mortos para o consumo humano e se o melhor seria simplesmente não matar estes animais.
"Quando me perguntam como posso justificar a matança de animais para o consumo de sua carne, minha resposta é a seguinte: o gado não teria nascido se não os tivéssemos criado com fins alimentícios. Devemos dar a eles uma vida boa e uma morte sem dor", afirmou Grandin.

Palestras

Além de seu trabalho com bem-estar animal, Grandin também dá numerosa palestras sobre autismo, destacando a importância de fornecer logo cedo o apoio de professores capazes de dirigir as fixações de crianças autistas em direções que rendam frutos.
"(Albert) Einstein hoje seria diagnosticado como autista. Ele não falou até os três anos de idade."
"Steve Jobs, o fundador da Apple, foi perseguido por seus colegas de escola e era considerado um solitário, estranho quando estava na escola", disse Grandin à BBC.
"As pessoas diferentes são capazes de conseguir coisas grandiosas", acrescentou.

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